Você esta em Historias :
Uma noite de vampiro

Uma noite de vampiro

Autor: Emílio Carlos

Já era tarde da noite quando ele acordou.
A lua cheia brilhava no céu e seus raios entravam pela janela indo bater na cama de Vladinho. Melhor dizendo: caixão. Porque Vladinho era um vampiro e dormia dentro de um caixão. Dormia de dia e acordava de noite.

Levantou-se com uma cara terrível de sono e foi até a cozinha. A mamãe-vampira serviu-lhe um copo de sangue para anima-lo. E disse assim:
- Você já está grandinho, Vladinho, e pode procurar sua própria comida. Vá pela noite sombria procurar sangue!
- Mas a noite está clara. É lua cheia.
- Não importa! Vá buscar uma vítima!

Vladinho saiu sem muita empolgação. Andou pela noite até que viu ao longe uma senhora de idade vindo em sua direção. Ajeitou a capa, caminhou decididamente até ela, e quando chegou perto fez um ruído parecido com “Váááá´”.
Ao invés de ficar com medo a senhora achou interessante:
- Oh, que bonitinho! Tão pequenininho e vestido de vampiro...
- Mas eu sou vampiro! – reagiu Vladinho.
- É claro que é, neném. Tome um pirulito.

Deu um pirulito, que Vladinho pegou sem saber porque, virou-se e continuou a andar. Vladinho estava decepcionado. Jogou o pirulito no chão, pulou em cima dele várias vezes, e continuo a andar. Dentro em pouco viu um velhinho careca de bengala andando pela noite com dificuldade. E pensou: “Ta pra mim!”. Aproximou-se do velhinho e fez aquele ruído de novo: “Váááááá”.

O velhinho nem tomou conhecimento dele. Continuou andando e passou por ele. Vladinho ficou bravo. Correu na frente do velhinho e fez “Váááááá”, de novo. Daí o velhinho reparou nele:
- ô, pobrezinho. Está chorando, ta?
- Váááááá´.
- Perdeu a mamãezinha, foi?
- Váááá´ - fez Vladinho tentando assustar o velhinho de novo.
O velhinho tirou um pirulito colorido do bolso do paletó e deu a ele:
- Tome, neném. Fique com o pirulito bem aqui. Eu vou ver se acho a sua mamãe.

O velhinho continuou andando e Vladinho mais uma vez jogou o pirulito no chão e o pisoteou. Mais à frente vinham duas meninas, um pouco maiores do que ele. E Vladinho pensou: “É agora”. Avançou na direção das duas e deu o seu famoso “Vááááá´”.

Ao invés de se espantarem as meninas adoraram:
- Olha! Já é festa de halloween – disse uma.
- É mesmo! Que demais! – disse a outra.
O Vladinho se irritou. E deu um “Váááá” tão forte que ficou até roxo, sem ar.
- Que maquiagem legal! Azul arroxeado – disse uma.
- Não, querida. Está na cara que é roxo azulado – disse a outra.

E assim foram se afastando sem dar a menor bola para o Vladinho, que já estava ficando desesperado. Não conseguia botar medo em ninguém. Como iria sobrepujar a vítima para sugar o seu sangue?

Mais adiante ele viu um cachorro. E sorriu. Se aproximou e deu um “Váááá” bem tenebroso. O cachorro olhou para o Vladinho por um instante e depois rolou no chão de tanto rir. Depois dessa Vladinho ficou ainda mais desanimado.

Parecia que essa não era a sua noite. E estava cabisbaixo, assim meio triste, quando se aproximou da loja do seu Ademar. Olhou para a vitrine da loja e viu um vulto vindo em sua direção. Esfregou as mãos e sorriu. Agora eu vou conseguir, pensou ele.

Andou em direção ao vulto com passos firmes e decididos e armou o seu melhor bote. Enquanto fazia “Vááááá” viu que o vulto também fazia “Váááá” com uma cara ameaçadora. Vladinho se assustou e fugiu com medo... do seu próprio reflexo na vitrine da loja.

Math+- é um excelente game educacional para as crianças aprenderem matemática!


Clique no icone abaixo para baixar para iPhone e iPad




Clique no icone abaixo para baixar para Android e Tablet

Emílio Carlos

emiliodicarlos@yahoo.com.br

Emílio Carlos tem 42 anos e é pai de 2 filhos, os primeiros a ouvirem suas histórias e canções. Possui histórias infantis publicadas na Revista Nosso Amiguinho e no site PapaCaio, além do texto teatral Era Uma Vez Uma Bruxa... publicado na Revista de Teatro da SBAT. Está divulgando junto à Editoras o kit de livros BICHOS, BICHINHOS E BICHÕES. Os livros O Menino que Caiu no Buracão e A Turma do Jardim estão em fase de ilustração.

No Teatro se dedica às crianças desde 1988, tendo montado 5 peças teatrais infantis que estiveram em temporada pelos Estados de São Paulo e Minas Gerais, incluindo a capital paulista.

Na Cia Dos Bonecos ele é o autor dos textos, o diretor dos espetáculos e um dos atores. Dessa forma atua em todas as fases do processo teatral, indo da criação do texto à apresentação ao público mirim. O sucesso alcançado pela Cia dos Bonecos se deve ao carinho e dedicação ao público, desenvolvendo durante anos uma linguagem destinada à criança dos dias de hoje.

Sua experiência como educador apóia o seu trabalho no Teatro, na Literatura, na Música e Cinema, sempre com um grande respeito pelo público e consciente da responsabilidade de quem trabalha com os pequenos. É um trabalho para crianças feito por quem gosta de crianças.