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O principe e o natal

O principe e o natal

Autor: Emílio Carlos

Era uma vez um príncipe muito egoísta chamado Tim. O príncipe Tim queria tudo só pra ele. Na Páscoa todos os ovos de chocolate do seu reino tinham que ser dele. Não sobrava pra ninguém. E o príncipe comia, comia e comia, até ficar com dor de barriga.

E aí queria todos os remédios de dor de barriga do reino só pra ele. No Natal era a mesma coisa: ele queria todos os presentes do reino só pra ele. Tudo, tudinho mesmo, todos os brinquedos que fossem feitos, produzidos ou inventados no seu reino tinham que ser dele.

Ele queria todos os carrinhos, todos os cavalinhos, todos os carrosséis, todos os jogos, todas as bicicletas, enfim tudo. E assim ano após ano os Natais iam passando e ninguém ganhava nada. Porque o príncipe ganhava tudo e não sobrava nada pra ninguém, nenhum presente para outra pessoa, nenhum brinquedo pra nenhuma outra criança brincar.

Contam que há dois anos atrás o Papai Noel até tentou entregar um ursinho de pelúcia na casa do pequeno Tomas. Mas foi impedido pelos guardas do príncipe que tomaram o ursinho das mãos do Papai Noel e levaram correndo até o príncipe Tim.

Então viver no reino do príncipe Tim era assim muito triste: sem presentes, sem páscoa, sem Natal, sem nada. O príncipe Tim, por outro lado, tinha tudo, ficava sempre com tudo. Mandou até construir mais 10 salões de brinquedos pra poder por todos os brinquedos que ele tinha.

Um dia contaram ao príncipe Tim que além das montanhas azuis do reino existia um outro reino que tinha um outro príncipe.
- Também ganha presentes? – perguntou o príncipe Tim.
- Claro que sim, vossa Alteza. Nossos espiões espionaram o príncipe Alex e descobrimos que ele tem mais brinquedos que o senhor – disse o primeiro Ministro.

- MAIS PRESENTES DO QUE EU? – gritou o príncipe Tim, num grito tão alto, mas tão alto que pôde ser ouvido nos quatro cantos do seu reino.
– Não pode ser! Isso eu não admito! Vou escrever agora mesmo ao Papai Noel!
E escreveu uma carta para o Papai Noel assim: “Papai Noel: o senhor está intimado a me dar todos os presentes do meu reino e também os do príncipe Alex.

Senão teremos guerra!” Isso mesmo: o príncipe Tim era tão egoísta, mas tão egoísta, que era capaz de entrar em guerra só pra pegar todos os brinquedos do príncipe Alex. Além da carta ao Papai Noel o príncipe Tim fez mais: colocou guardas em todas as montanhas, armados com arcos e flechas. E disse:
- Se o Papai Noel tentar atravessar para o lado do Príncipe Alex DERRUBEM-NO!!!!!

Depois ficou dentro do seu castelo andando de um lado para o outro, esfregando nervosamente as mãos:
- Todos os presentes tem que ser meus! Todos os presentes tem que ser meus!
Na noite de Natal o príncipe Tim estava ainda mais nervoso. Os guardas estavam de prontidão em todas as montanhas, nas fronteiras de seu reino com o reino do príncipe Alex, vigiando Papai Noel.

De repente ouviram-se sinos e o barulho do trenó do Papai Noel, que parou bem em cima do castelo do príncipe Tim. O Papai Noel desceu pela chaminé direto até o salão real do príncipe.
- Feliz Natal, príncipe! – disse o Papai Noel.
- Ta certo, feliz Natal. Agora, cadê os presentes?
- Esse ano tenho um presente muito especial pra você, príncipe Tim.
- Mas cadê? – disse o príncipe todo espantado. – Eu não estou vendo seu saco de presentes. O que está acontecendo?

Papai Noel tirou do bolso do casaco um pequeno saco vermelho, amarrado com uma cordinha dourada, e deu ao príncipe.
- O que? Só isso? Só esse saquinho de presente?
- Mas Alteza: dentro dele há o maior de todos os presentes, aquele que vossa Alteza ainda não possui.

Ouvindo isso o príncipe Tim mais que depressa foi pegando o saquinho:
- Oba: o maior de todos os presentes! E é meu!!!
Quando abriu o saquinho não viu nada:
- Ei, onde está? - Lá dentro, príncipe – respondeu o Papai Noel.
O príncipe pôs a mão dentro do saquinho e só havia pó. Mas um pó diferente, dourado, que eu nunca havia visto antes.

- É isso, então: Pó? Se eu quisesse pó eu ia brincar na terra. Guardas!
- Calminha Alteza! – disse o Papai Noel jogando o pó na cabeça do príncipe.
Como o pó era mágico na mesma hora o príncipe começou a voar junto com o Papai Noel.

- Aiiii! Que meeeedo!!!
- Segure na minha mão, Alteza! – disse o Papai Noel.
Os dois sobrevoaram por todo o reino. O pó era tão mágico que eles nem foram vistos, nem pelos guardas, nem pelas pessoas. Papai Noel levou o príncipe Tim até as casas de outras crianças como ele, que na noite de Natal não tinham nem presentes nem nada para comer.

- Mas... existem pessoas pobres assim? – se espantou o príncipe.
- Existem e moram aqui mesmo, no seu reino – respondeu o Papai Noel.
Depois entraram numa casa muito modesta onde haviam três pessoas: o pai, a mãe e uma criança. O pai tirou do bolso uma vaquinha feita de madeira.

Ele havia achado um pedaço de madeira no mato e esculpiu a vaquinha com um canivete para dar ao seu filho de presente de Natal. O garoto ficou tão feliz, mas tão feliz, que gritou:
- Oba! Natal! Nessa hora o pai e a mãe ficaram assustados:
- Fale mais baixo filho! - Os guardas do príncipe podem ouvir!
Foi dito e feito: 2 guardas mal-encarados chutaram a porta da casa, empurraram o pai e a mãe, e tomaram o brinquedo do garoto.

- Há! Mais um brinquedo para o príncipe – disse um dos guardas, rindo a valer.
- Como se ele já não tivesse todos. – disse o outro.
Os guardas saíram e deixaram pai, mãe e filho chorando num canto, e sem presente de Natal. Papai Noel olhava fixamente para o príncipe, com olhar de reprovação.

- Mas... mas eu não mandei que fizessem isso... – disse o príncipe.
- Mandou sim! – e dizendo isso Papai Noel tirou da manga o decreto real assinado pelo príncipe que dizia:
“Todos os brinquedos do reino serão do príncipe Tim”.

- Mas... eu não sabia...
- Que vergonha, príncipe. 10 salões cheios de brinquedos e ainda precisa pegar uma vaquinha de madeira de um pobre camponês? Aquelas palavras do Papai Noel ficaram ecoando nos ouvidos do príncipe. Na verdade ele tinha tantos brinquedos que nem brincava com eles mais.

Aliás, ele nem tinha com quem brincar. Era tão egoísta que não deixava ninguém por a mão nos seus brinquedos.
- Vamos. Acho que eu já vi demais por uma noite... – disse o príncipe.
- E olha que por todo reino é assim. – respondeu Papai Noel, que fez um sinal com os dedos e então os dois voaram de volta para o castelo.

Quando voltaram ao salão real o príncipe estava triste. Não podia esquecer do que tinha visto. De repente entraram os dois guardas que o príncipe tinha visto:
- Majestade: olha o que achamos!
- Veja: mais um brinquedo para a vossa coleção. Os guardas colocaram nas mãos do príncipe a vaquinha do menino pobre e saíram.

Ao ver a vaquinha uma lágrima escorreu dos olhos do príncipe que então percebeu tudo: só ele tinha Natal, porque tomava os presentes de todos a vida toda. Então o Papai Noel perguntou:
- Devo descarregar o trenó aqui mesmo, Alteza?
O príncipe pensou por um momento. Mas logo depois sorriu e respondeu:
- Deve sim.

Papai Noel se espantou. Será que o príncipe não tinha aprendido a lição? Por isso insistiu de novo:
- Tem certeza que eu devo descarregar todos os presentes aqui?
- Certeza absoluta!
Papai Noel suspirou, deu com os ombros, subiu pela chaminé e descarregou um imenso saco de presentes no salão real.

Estava triste porque esse seria mais um Natal como os outros. Subiu de novo pela chaminé, se sentou em seu trenó e ficou ali parado, pensando e pensando. De repente vários guardas saíram do Castelo. Papai Noel estranhou aquele movimento.

E logo depois voltaram trazendo algumas crianças. E depois outras. E mais outras ainda. Papai Noel olhava admirado tudo aquilo. Nunca tinha visto nada parecido. De repente até os guardas que vigiavam as fronteiras tinham saído de seus postos e corriam até o castelo.

Foi então que o bom velhinho resolveu investigar. Desceu pela chaminé de cabeça pra baixo só pra dar uma espiada. E lá no meio do salão, com um chapéu de papai Noel na cabeça estava quem?

O príncipe Tim repartindo os presentes com todas as crianças do reino. Ele agora tinha o maior presente de todos: ele tinha amor no coração e amigos para compartilhar.

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Emílio Carlos

emiliodicarlos@yahoo.com.br

Emílio Carlos tem 42 anos e é pai de 2 filhos, os primeiros a ouvirem suas histórias e canções. Possui histórias infantis publicadas na Revista Nosso Amiguinho e no site PapaCaio, além do texto teatral Era Uma Vez Uma Bruxa... publicado na Revista de Teatro da SBAT. Está divulgando junto à Editoras o kit de livros BICHOS, BICHINHOS E BICHÕES. Os livros O Menino que Caiu no Buracão e A Turma do Jardim estão em fase de ilustração.

No Teatro se dedica às crianças desde 1988, tendo montado 5 peças teatrais infantis que estiveram em temporada pelos Estados de São Paulo e Minas Gerais, incluindo a capital paulista.

Na Cia Dos Bonecos ele é o autor dos textos, o diretor dos espetáculos e um dos atores. Dessa forma atua em todas as fases do processo teatral, indo da criação do texto à apresentação ao público mirim. O sucesso alcançado pela Cia dos Bonecos se deve ao carinho e dedicação ao público, desenvolvendo durante anos uma linguagem destinada à criança dos dias de hoje.

Sua experiência como educador apóia o seu trabalho no Teatro, na Literatura, na Música e Cinema, sempre com um grande respeito pelo público e consciente da responsabilidade de quem trabalha com os pequenos. É um trabalho para crianças feito por quem gosta de crianças.